Quando tu me vires no futebol, estarei no campo cabeça ao sol, a avançar pé ante pé para uma bola que está à espera dum pontapé, à espera dum penalty que eu vou transformar para ti, eu vou atirar para ganhar, vou rematar e o golo que eu fizer ficará sempre na rede, a libertar-nos da sede. Não me olhes só da bancada lateral, desce-me essa escada e vem deitar-te na grama, vem falar comigo como gente que se ama e até não se poder mais vamos jogar
Quando tu me vires no music-hall, estarei no palco, cabeça ao sol, ao sol da noite das luzes, à espera dum outro sol e que os teus olhos os uses como quem usa um farol. Não me olhes só dessa frisa lateral, desce pela cortina e acompanha-me em cena, vamos dar à perna como gente que se ama e até não se poder mais vamos bailar
Quando tu me vires na televisão, estarei no écran, pés assentes no chão a fazer publicidade, mas desta vez da verdade, mas desta vez da alegria de duas mãos agarradas, mão a mão no dia a dia. Não me olhes só desse maple estofado, desce pela antena e vem comigo ao programa, vem falar à gente como gente que se ama e até não se poder mais vamos cantar
E quando à minha casa fores dar, vem devagar e apaga-me a luz, que a luz destoutra ribalta às vezes não me seduz, às vezes não me faz falta, às vezes não me seduz, às vezes não me faz falta.
A minha irmã e a Zé na hora de antes do autógrafo