Quase a chegar, voando na Emirates (se bem me lembro...)
Foi reconfortante, no aeroporto, ficar a saber que respeitam as mulheres...
A Shadi, que me foi buscar ao aeroporto e depois, já passava da meia-noite, me levou a passear a um parque na orla da cidade, sob as montanhas.
Este parque, do qual não me lembro o nome, sobe ao longo de vários socalcos até a uma série de bares com uma vista magnífica sobre a cidade à noite. Pelos caminhos e clareiras, muitos bancos cheios de gente de todas as idades, principalmente malta nova que parecia apreciar a semi-obscuridade...
No dia seguinte tinha de novo a Shadi mais o motorista, com o bólide da foto. Foi ele que me guiou por Tehran, mergulhando com desenvoltura no inferno do trânsito mais caótico que já experimentei (nem nos os mais recentes exemplos de Saigão e Bangkok vi tal coisa!)
A cidade é dominada pelas montanhas Alborz.
Apesar de ser Primavera, com temperaturas cá embaixo que chegavam aos 20 e muitos, os picos mais altos apresentavam-se cheios de neve.
Mais uma vista, sempre com a montanha por trás. Se bem me lembro, o meu hotel estava nesta zona de prédios mais recentes. Era um decadente hotel de 5 estrelas com cheiro a mofo e uma patine a-la-anos-setenta feita de alcatifas, brilhos e candeeiros de globo pendurados do tecto. Visa? Népias, só em cash...
Uma estrada espantosamente livre de trânsito...
Pi-pi...
Pó-pó!
Era isto a toda a hora, um trânsito infernal onde vale tudo menos tirar olhos. Inversão de sentido de marcha em faixas de avenidas com separador central, marchas atrás dementes para fugir ao atascanço, cinco filas de carros lado a lado a rasparem as embaladeiras onde só havia três faixas, enfim...
Ora cá está um sinal um pouco desnecessário...
A cidade, a espaços, tinha algo de Lisboa da minha meninice. Não sei explicar o porquê deste sentimento... Desde o hotel com o espírito dos anos setenta até aos bairros mais calmos onde até nas ruas estreitas havia árvores, passando pelos cafézinhos ou tascas abertos pródigamente um pouco por todo o lado, debaixo das varandas.... enfim, não sei explicar, mas cheirou-me a Lisboa!
Mas o feeling Lisboeta era fugaz, rápidamente era ofuscado pela secura do Médio Oriente...
Ainda para lá andam umas banheiras americanas, dos velhos tempos.
Outro sinal desnecessário...
Os edifícios novos de facto acabados, como este, não eram muitos.
Eu sei que este álbum tem uma data de fotos a eito e de má qualidade, tiradas de um carro em andamento, mas não é todos os dias que se está em Teerão e eu estive lá menos de 48 horas!
A bófia não anda só a perseguir os desvios à Sharia...
E também há ardinas!
Cá está um dos bairros cuja atmosfera parecia mais familiar.
Uma família de três preparando-se para embarcar na sua moto.
Terminadas as obrigações profissionais, tempo para umas compras num centro comercial lá do sítio. Metade das lojas vendiam tapetes... mas também encontrei uma boa livraria.
A minha amiga Shadi serviu de guia.
Na zona das compras havia mais que um centro comercial.
Última noite: esta imagem impossível de decifrar, quer creiam quer não, é a transmissão em semi-directo da final da Taça Uefa que o Porto ganhou ao Celtic, em Sevilha, em 2003! Com um desfazamento aí de um minuto relativamente ao directo, os realizadores Iranianos tinham tempo para "meter" uma imagem repetida de bandeiras à acenar, colhida no início do encontro, sempre que havia cenas menos islâmicas, como celebrações efusivas, pancadaria ou apalpanços entre os machos...